Foi realizada nesta quinta-feira, dia 20, na Câmara Municipal de Volta Redonda, a Audiência Pública solicitada pelo vereador Raone Ferreira (PSB) para discutir o tema da Campanha da Fraternidade 2025 “Fraternidade e Ecologia Integral”. O evento contou com representantes da igreja, de comunidades católicas, da sociedade civil e políticos que falaram sobre o impacto das ações do ser humano no meio ambiente.
“Foi uma noite muito proveitosa de troca de ideias e um espaço para ouvirmos a população. Poder público, igreja e sociedade civil reunidos em prol de um bem maior: encontrarmos formas e meios de protegermos nosso meio ambiente, que vem sofrendo cada dia mais com a degradação humana. Com certeza, a partir dessa Audiência Pública, novos projetos vão nascer”, disse o vereador.
Além do vereador Raone Ferreira, a mesa foi composta por Leonice Cassin, teóloga e catequista; Anderson Silva Azevedo, subsecretário Municipal de Meio Ambiente, representando o secretário Jorginho Fuede; o deputado estadual Jari de Oliveira; padre Juarez Sampaio, Vigário Episcopal para Cuidado da Vida e da Casa Comum; e William Resende de Castro Jr, da Pastoral Ecologia Integral.
Dom Luiz Henrique da Silva Brito, bispo diocesano de Barra do Piraí-Volta Redonda, não pode comparecer presencialmente, mas enviou um vídeo parabenizando a Câmara e o vereador Raone por abrir espaço a uma discussão tão importante.
Também participou de forma remota Pablo Saldo, chefe do programa Agenda Ambiental na Administração Pública – A3P e articulador da Política Nacional de Educação Ambiental junto ao Estado do Rio de Janeiro.
Em sua fala, o vereador Raone afirmou que somos todos irmãos e partilhamos de um mundo em comum. “A gente peca quando compactua com a poluição, com um lixo no chão, quando fingimos não ver o que está acontecendo ao nosso redor. A Campanha da Fraternidade é o momento de refletirmos sobre a mudança em nós mesmos, no outro e na sociedade. Esse é um modo de colocarmos a nossa fé a serviço do que Deus nos deu”, disse o vereador, ressaltando ser autor da lei municipal que declara o Estado de Emergência Climática em Volta Redonda.
Segundo Raone, a cidade precisa pensar em estações de tratamento de esgoto eficazes, em coleta seletiva de qualidade, que atenda de forma efetiva todos os bairros. Precisamos pensar em ações concretas para enfrentarmos as mudanças que estão cada dia mais assustadoras.
O deputado estadual Jari, que é presidente da Comissão de Saneamento Ambiental da Alerj, salientou a importância do Rio Paraíba do Sul para nossa região. Ele ainda citou a importância de termos em nossa região um grupamento de combate às queimadas ambientais. “Ano passado vimos a falta que faz um grupamento especial para isso. Nosso estado foi assolado por queimadas gigantescas, que precisam ser controladas de forma efetiva”.
Em sua fala, padre Juarez citou que estamos vivendo tempos de desafios. Ele lembrou que o tema ecologia e meio ambiente vem sendo abordado pela igreja desde 1979, para debater questões socioambientais.
“Estamos em um momento decisivo para o planeta. Não temos planeta reserva. Precisamos de uma conversão ecológica. Estamos vivenciando grandes tragédias ambientais, com secas ou chuvas em demasia, queimadas em grandes proporções. Nosso planeta está sofrendo”, falou.
Outro tema bastante discutido na Audiência Pública foi a reciclagem do lixo. A teóloga Leonice Cassin afirmou que muitas coisas dependem de nós para que melhore. “A reciclagem precisa ser um hábito em nossas casas. Nossas crianças precisam crescer com essa consciência”.
O subsecretário de Meio Ambiente, Anderson Silva Azevedo, também esclareceu algumas questões sobre as cooperativas de reciclagem que atuam em Volta Redonda. Um das perguntas feitas pela população foi sobre a Cooperativa Cidade do Aço, que não foi aprovada no edital por falta de documentação, mesmo recebendo todo apoio. Ele explicou que a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Defensoria Pública da União (DPU) e o Ministério Público Estadual (MPE), firmou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para aprimorar o sistema de coleta seletiva de Volta Redonda, fortalecendo a atuação dos catadores e contribuindo para o desenvolvimento sustentável na região.
Abordagens
O empresário do ramo da beleza, Cleiton Moore, destacou a importância de grandes empresas e comerciantes no geral, se preocuparem sobre o que fazerem com o lixo que produzem e sobre como podem ajudar a amenizar os impactos ambientais. “Ainda consumimos muito plástico. Precisamos, por exemplo, pensar em um descarte consciente. Estou desenvolvendo um projeto em que utilizo produtos orgânicos, embalagem biodegradável. Acredito, sim, que dentro do meu local de trabalho eu posso mudar o meio ambiente”.
Ao final do evento o vereador Raone Ferreira lembrou que sempre ao final de suas Audiências, gosta de citar os desdobramentos que serão acompanhados por ele. Entre eles citou a necessidade de pensar as demandas de Fraternidade e Ecologia Integral à luz do município, debatendo temas como “Cidade Esponja” e a “neutralização de carbono”; pensar na Pedreira da Voldac como patrimônio ambiental; realizar a fiscalização das caçambas; conhecer e apoiar as cooperativas de reciclagem; melhorar o serviço de coleta seletiva, entre outras.
Ao final, o padre Juarez fez a oração da Campanha da Fraternidade 2025 e abençoou os presentes.
Estiveram presentes também na Audiência, Klévis Farmacêutico, vereador de Barra Mansa; Felipe de Paiva, vereador de Porto Real; Gisele Klingler, vereadora de Volta Redonda; Padre Jorge Pereira Axé; o jovem Matheus representando o Movimento Ética na Política (MEP); Fernando Parente, presidente do PSB; Drica Bittencourt representando a deputada estadual Dani Monteiro e representando o PSOL de Volta Redonda; Rodrigo Mendes, conselheiro tutelar; Marco Antônio, presidente da Associação de Moradores da Voldac; Nicolas Coutinho da Pastoral Operária; Cristina de Sá coordenadora da Pastoral da Criança; Conceição Santos do Movimento Fé e Política; Zezinho do MEP e José Arimathéa Oliveira, presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do Médio Paraíba do Sul.