Durante a COP30, o vereador Raone Ferreira apresentou uma nota técnica que revela um cenário alarmante da qualidade do ar em Volta Redonda. O documento, elaborado em parceria com o assessor técnico Luiz Ricardo Candido Landim, foi lançado no Encontro Clima e Parlamento, realizado na Casa Ninja Amazônia e conduzido pelo GT Clima da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso Nacional.
A análise mostra que, em 2024, os níveis de poluição atmosférica ultrapassaram os padrões recomendados pela Organização Mundial da Saúde em 81% dos dias do ano, especialmente nas estações de monitoramento Belmonte e Retiro. O estudo aponta que os picos de material particulado fino (PM2,5) e grosso (PM10) ocorreram, majoritariamente, em horários de baixa circulação veicular, o que reforça a predominância da emissão industrial da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) como fonte da poluição.
“Os dados deixam muito claro: Volta Redonda respira ar fora do permitido na maior parte do ano. Isso não é pontual nem acidental. É o resultado de uma política de repetidas prorrogações de TACs e de uma fiscalização falha, que permite que a CSN continue poluindo sem cumprir plenamente suas obrigações ambientais”, afirmou Raone.
A nota destaca ainda que o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) prorrogou sucessivamente três Termos de Ajustamento de Conduta firmados com a CSN, incluindo o TAC mais recente, que recebeu novo aditivo em 2024. Para Raone, é urgente repensar esse modelo de fiscalização.
“A população já paga com a própria saúde enquanto os prazos são eternamente empurrados. Não dá mais para aceitar que o órgão fiscalizador seja complacente. Precisamos de transparência, rigor e até mesmo de uma intervenção federal no INEA, se for necessário”, disse o vereador.
O estudo se baseia nos dados do SIGQAr (Sistema Integrado de Gestão de Qualidade do Ar) e no painel Respira VR, ferramenta desenvolvida pelo próprio mandato para monitorar em tempo real a qualidade do ar no município. Os resultados mostram que, além das médias diárias, os picos horários de poluição também extrapolam frequentemente os limites da OMS e do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente).
“Esse diagnóstico é fundamental para cobrar providências. Volta Redonda não pode ser refém da poluição da CSN. Nós estamos fazendo a nossa parte: analisamos os dados, mostramos os números, apresentamos caminhos. Agora o Estado precisa fazer a dele e garantir que a empresa cumpra a lei”, concluiu Raone.